Há fogos de artifício.
A música é a mesma que se ouve nos rádios o ano inteiro: forró. O céu fica estrelado e São Pedro permite que não chova, para que as fogueiras permaneçam acesas. Época de danças, de comidas à base de milho, de bilhetinhos de romance, de roupas coloridas e de palavreado fácil. E mesmo que ninguém fale, a comunicação é a mesma para todos: um sorriso ali, uma passagem de dança acolá... Todo mundo parece feliz. Ou, de fato, o são.
Gosto de festas assim. As cores, o barulho, a respiração ofegante das pessoas nas quadrilhas, os gritos de guerra das torcidas, a música com letra rimada e quase que falada, se não fosse o instrumento de fundo. Um conjunto de elementos que nos faz esquecer um pouco dos probleminhas do dia-a-dia.
Faz algum tempo que eu não mais expunha a ‘matuta’ que há em mim durante esta época. Dantes, era simples. Colocava um vestidinho de chita, trancinhas no cabelo, fitas no pescoço, um pouquinho mais de maquiagem nas bochechas e as brincadeiras preenchiam à noite. Eram traques, estalos-bebés, chuvinhas... Brincar com fogo era bom. Ainda é, dependendo das circunstâncias. Mas, grande ou pequena, o risco de se queimar continua o mesmo.
Este ano foi um pouco diferente. Devido a tantos afazeres de fim de semestre, permaneço em casa. A vontade de dançar, aplaudir as apresentações e cantarolar alto perto das pessoas que amo está contida, mas bem perceptível no meu olhar inquieto.
Primeiro, as responsabilidades... – Eu sabia. No entanto, queria que elas pudessem me trazer canjicas, pamonhas e bolos de prêmio. Espero que ao menos o resultado material seja bondoso com meu esforço.
Senti falta dos meus avós agora. Devem estar ao redor da fogueira neste momento, esperando ela baixar a crista fumegante, para que os milhos possam ser assados... Ano que vem, espero que seja bem diferente. E que eu possa desenhar meu nome no ar com as faíscas da chuvinha, deixando que o plano de fundo do céu dê a impressão que estou escrevendo nas estrelas...
Sara Albuquerque.