Author: Sara Albuquerque
•11:40

Eu sou manhosa.

Adoro quando alguém me aconchega com um abraço, quando percebe que eu estou me sentindo sozinha ou perdida no tempo das minhas obrigações... Aproveito-me. Faço semblante de chorona e logo começo a contar todas as minhas bobas alusões com o mundo. As pessoas que moram aqui em casa conhecem bem este meu jeito dengoso de ser. Minha sorte é que elas não se incomodam, quando eu exagero nos apertos de carinho e me transformo em chiclete.

Acho que estou mal acostumada com a meiguice daqui, com a compreensão, a demonstração recíproca. Sinto que incomodo alguns com essa forma sempre ativa de cativar, mas é que, às vezes, um “eu gosto tanto de você” cairia tão bem... Mas nem todo mundo sabe rechear o bolo com chocolate.

E eu adoro chocolate e nenhuma dieta vai mudar isso, mesmo que só me deixe sentir seu sabor em poucos momentos.

Sara Albuquerque

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Author: Sara Albuquerque
•00:48
Há fogos de artifício.

A música é a mesma que se ouve nos rádios o ano inteiro: forró. O céu fica estrelado e São Pedro permite que não chova, para que as fogueiras permaneçam acesas. Época de danças, de comidas à base de milho, de bilhetinhos de romance, de roupas coloridas e de palavreado fácil. E mesmo que ninguém fale, a comunicação é a mesma para todos: um sorriso ali, uma passagem de dança acolá... Todo mundo parece feliz. Ou, de fato, o são.

Gosto de festas assim. As cores, o barulho, a respiração ofegante das pessoas nas quadrilhas, os gritos de guerra das torcidas, a música com letra rimada e quase que falada, se não fosse o instrumento de fundo. Um conjunto de elementos que nos faz esquecer um pouco dos probleminhas do dia-a-dia.

Faz algum tempo que eu não mais expunha a ‘matuta’ que há em mim durante esta época. Dantes, era simples. Colocava um vestidinho de chita, trancinhas no cabelo, fitas no pescoço, um pouquinho mais de maquiagem nas bochechas e as brincadeiras preenchiam à noite. Eram traques, estalos-bebés, chuvinhas... Brincar com fogo era bom. Ainda é, dependendo das circunstâncias. Mas, grande ou pequena, o risco de se queimar continua o mesmo.

Este ano foi um pouco diferente. Devido a tantos afazeres de fim de semestre, permaneço em casa. A vontade de dançar, aplaudir as apresentações e cantarolar alto perto das pessoas que amo está contida, mas bem perceptível no meu olhar inquieto.

Primeiro, as responsabilidades... – Eu sabia. No entanto, queria que elas pudessem me trazer canjicas, pamonhas e bolos de prêmio. Espero que ao menos o resultado material seja bondoso com meu esforço.

Senti falta dos meus avós agora. Devem estar ao redor da fogueira neste momento, esperando ela baixar a crista fumegante, para que os milhos possam ser assados... Ano que vem, espero que seja bem diferente. E que eu possa desenhar meu nome no ar com as faíscas da chuvinha, deixando que o plano de fundo do céu dê a impressão que estou escrevendo nas estrelas...
Sara Albuquerque.
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Author: Sara Albuquerque
•10:47
O bom de amar as pessoas é que você não precisa de reavaliações ou provas finais, para demonstrar isso. Bastam atitudes.

Cansada de testes.

Sara Albuquerque.
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Author: Sara Albuquerque
•09:14
Não costumo fugir dos problemas.
Acho que, ao contrário, até insisto demais em resolvê-los, quando anunciam não ter solução.
Parece que ainda quero utilizar a minha tática de matemática, ensinada pelo meu exigente professor do fundamental: tentar, tentar e alcançar o resultado exato.
Esqueço, às vezes, que o final pode terminar em icógnitas que nem sempre estão no Plano dos Reais.
Mas, nesta hora, neste lugar, nesta dimensão em que me encontro, eu não quero enxergar, lembrar, sentir... Utilizo-me do "isolamento" de pensamentos que Freud tanto falava, mas nem sequer os consubstancio.
Termino com uma frase emotiva e um rosto sorridente. Foi assim que a vida me ensinou interpretar os três pontos finais sem fim verdadeiro.
Pediram-me tanto para olvidar o passado que acabei, acabei... Nem lembro mais.
Sinto muito.
Não me peça para recordar o que você me fez esquecer.

Sara Albuquerque.
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Author: Sara Albuquerque
•12:53
Procure este verbo no dicionário Aurélio que, além de quatro formas nas quais ele pode ser conjugado (transitivo direto, transitivo indireto, intransitivo e pronominal), você descobrirá doze significados muito parecidos entre si, mas não idênticos. Esta variedade de conteúdo pode ocorrer devido à infinidade de sujeitos ativos, que este verbo busca abrangir. Namora aquele que tem coragem em declarar-se e o que permanece em silêncio. Namora o que apenas atrai, o que fita algo de maneira insistente com vontade de possuí-lo. Namora aquele que mantém uma relação enamorada; namora aquele que emprega todos os esforços para obter seu objetivo. Namora o que somente cobiça, mas também aquele que anda em galanteios.

Podem-se namorar a vida, os livros, um lugar, uma atividade. O namoro pode ser recíproco... Mas (acreditem!) tem pessoas que preferem namorar sozinhas, seja por falta de coragem, vergonha ou não correspondência. Os ricos, os pobres, os “classe média”, pessoas de variadas raças e idades também namoram. Pois um desejo é observado (desculpem-me aqueles que em virtude da religião não concordam comigo): todos nós queremos namorar. E querer é uma coisa séria, porque permitir-se encantar pelos pequenos detalhes da vida é uma dádiva e tanto.

Por isso, escolha uma roupa com a qual se sente agradável, ponha o seu melhor perfume, saia com os amigos para um local favorito, cante, pule, dance... Curta os mais doces momentos dessa existência, seja sozinho ou ao lado das pessoas que ama. Nem sempre estar solteiro é sinônimo de não enamorado. Assim, levante a cabeça e esteja atento para os sinais do mundo externo, porque o namoro pode ser recíproco... Mas você precisa prestar atenção.

“O essencial é invisível aos olhos.” (Exupéry)

Sara Albuquerque.

Feliz Dia dos Namorados a todos os enamorados desse mundo(lembrando que a data é apenas uma formalidade, pois podemos, queremos e devemos inspirar amor todos os dias). Abraços cor de mel.
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Author: Sara Albuquerque
•13:29
Nessa mesma época, ano passado, também choveu.
Mas não eram pingos de água.
Era granizo.
Havia receio de sair nas ruas, devido à possibilidade de machucados.
Agora...
É difícil explicar...
Adoro esse barulhinho de gotas escorregando pelo vento, depois de se pendurarem no telhado.
Ainda sinto frio, mas não tenho medo.
A sensação é de tranqüilidade, de aconchego.
Nuvem dando à luz é chuva nascendo,
Mostrando que há vida.
Sempre há.

Sara Albuquerque.

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Mais alguns Dias de Branco no “Lar dos Escrivólatras”:
- Preservativo contra curiosidade;
- Porta-retrato;
- “Barulhinho no Quarto do Timbaúba”;
- Esperando...
- Formação Reativa;

Abraços com maciez de roupa passada ferro...
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Author: Sara Albuquerque
•13:15
Ainda sou do tempo que flores conquistam uma mulher.
Ainda sou do tempo que gosta da paquera, do charme e do friozinho na barriga, antes do primeiro beijo.
Ainda sou do tempo em que sexo não é essencial numa relação e muito menos prova de amor.
Ainda sou do tempo em que ser fiel é alicerce para tudo.
Ainda sou do tempo que escreve cartas, que abusa da criatividade nos presentes e que pegar nas mãos é significativo.
Ainda sou do tempo que chora durante uns dias seguidos, depois de o término de um namoro.
Ainda sou do tempo que acredita em palavras de amor eterno.
Ainda sou do tempo que confia nos dizeres do outro, independente de circunstâncias parecerem contraditórias.
Ainda sou do tempo que planeja o casamento, os nomes dos filhos e o local da primeira casa.
Ainda sou do tempo que associa músicas ao romance vivido.
Ainda sou do tempo que poucos conhecem e que a modernidade faz questão de esquecer.
Ainda sou do tempo do MEU tempo, em que apenas SOU.

Sara Albuquerque.
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Author: Sara Albuquerque
•13:10
“Se meu mundo cair, eu que aprenda a levantar.” (Maysa)

Meu nariz coçava. Fico exatamente assim, quando sinto vontade de chorar e me contenho. Prometi que não iria lacrimejar, mesmo não gostando de promessas. Parecia haver um martelo na minha cabeça, transformando cada pedacinho de silêncio em estrondos de bateria. E aquele sentimento, que eu houvera tempos que não dava morada pra ele aqui dentro, apossou-se de mim. Era angústia. Foi em busca de esclarecimentos, que eu descobri o que, na verdade, era eu quem não sentia ao máximo. Eu quis “ser feliz, ao menos” – como cantava Renato, mas acho que não trouxe a felicidade do outro junto comigo.

Eu amava com tudo de mais bonito que tinha em mim. Eu não hesitava em demonstrar ao mundo, em dedicar momentos da semana ao lado dele, em ser espontânea nos gestos e nas palavras. Há alguns meses, o “tudo bem” não era mais o mesmo. Eu sabia que faltava algo, mas eu não conseguia delimitá-lo. Por que eu era tão satisfeita e não sentia que a outra parte unilateral do romance também era? Uma virtude eu tinha: sensibilidade aguçada, para perceber que faltavam peças de quebra-cabeça naquele tabuleiro.

Procurando o que eu não fazia suficientemente para manter uma relação, eu encontrei a mim mesma: medrosa. A menina guiada por sonhos limitados por grades que ela impunha às suas asas. Questionei-me o que mudar, como prosseguir e tentar despertar aquele sorriso sincero por parte do outro; de que forma eu serei bastante? Lembrei-me do bicho em baixo da cama. Foi quando me acostumei que ele estaria lá, mas não me faria mal algum, que deixei de correr assustada para o quarto da minha mãe, ao impulso de qualquer ruído.

Às vezes, eu descobria que não havia monstro nenhum e que era apenas eu mesma quem me mexia durante o sono, fazendo gritar as molas da cama. Sim: vez por outra, somos as responsáveis pelos nossos próprios medos. Mas até aprender a lidar com eles e se deixar dormir tranqüila, é preciso tempo. Foi assim com tudo que me atormentou um dia. Não era agora que seria diferente.

Acredito em sonhos, de verdade. Penso que existem noites sem remédios tarja preta. E mais ainda: acredito que só eu posso mandar essa angústia embora para bem longe de mim, porém só o futuro pode constatar esse feito. Esse passo...

Sara Albuquerque.
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Author: Sara Albuquerque
•13:21
Queria ter mais que músculos, pensamentos e sentimentos. Gostaria mesmo de ter poderes mágicos, nem que fosse por um lapso temporal de minutos. Assim, eu poderia enveredar pela mente, que eu julgo conhecer, e descobrir o que se passa lá dentro: o que não é dito, o que é sentido, o que não é compreendido, mas adoraria sê-lo. Eu poderia saber como lidar com os medos, que não sou capaz de delinear; com os sonhos, que pareço não sentir; com as atitudes, que não transparecem verdadeiras e autênticas como deveriam. Eu poderia desvendar tantos destes mistérios e no final ser encarada como invasora de mentes, taxada de insensível às ações.

Eu poderia...

Mas o que eu queria mesmo era que palavras fossem mais que suficientes para apaziguar as dores de cabeça, as dúvidas e os desencontros. Pena que não posso conferir esse poder a elas e muito menos contê-las, o que evitaria medidas precipitadas, perguntas desprevenidas e mensagens formalmente duras.

Talvez, se eu compreendesse, eu poderia ser menos grosseira comigo mesma e, consequentemente, com os outros. Ninguém quer se arriscar na sinceridade além dos limites, por causa da insegurança. Puxa vida... Se é tão sem justificativas o amor, por que complicamos tanto? Por que querer bem a alguém é tão difícil?

Sara Albuquerque.
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Author: Sara Albuquerque
•13:04
♥ Amigos, desculpem não estar respondendo os comentários com frequência, mas é que ultimamente estou chateada com o relógio; mas em breve faremos as pazes: tenho fé. Responderei, então, todos os carinhos e mimos recebidos assim que possível. Agradeço a compreensão.

♥ A Fábrica vive mudando de layout, porque ainda não encontrei um que me agradasse totalmente pra ela [sim! Sou perfeccionista]. Decidi que eu mesma o farei, mas isso vai demorar um pouco, devido a falta de segundos dedicados para tal atividade. (rsrs!) Por isso, a Fábrica está em constante reforma exterior; mas o conteúdo permanece o mesmo.

♥ Este selinho que tem aí do lado esquerdo da tela é referente à votação “Top Blog”. A “Fábrica de Palavras” foi indicada para concorrer ao Prêmio Variedades. Para votar, basta clicar no selo e seguir as instruções. Não soube quem indicou, mas estou muito feliz por quem o fez e estou compartilhando o selo como prova da minha gratidão. Fiquem à vontade para votar ou não votar: o que importa é ser sincero com vocês e comigo. Aproveitem para conhecer no site do “Top Blog” a infinidade de Blogues que ele oferece de acordo com as categorias que cada leitor prefere. Descubram e divirtam-se! O importante é não perder o alvo na leitura.

Abraços apertados e saudosos!

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Um pequeno textinho, para não perder o costume:

O difícil é admitir que a culpa a sua, quando uma consequência indesejada acontece. Eu achava que me cobrava demais, mas percebo que é exatamente assim que devo prosseguir. Nada chega até nós, se não lutarmos. Não adianta ter sonhos e elaborar metas de planos, se não estou fazendo o suficiente para obtê-los. Alguns dizem que eu me esforço bastante. Mas será? Não constato isso, quando o resultado não é o esperado. Posso fazer mais por mim do que eles pensam. Posso melhorar, eu sei disso. Vou começar a arregaçar as mangas até o pescoço... Ou melhor, vou iniciar com blusas de alça! E vou conseguir, porque todo mundo tem potencial para conquistar o que procura. Pois quando chegar ao final (se é que isso tem final), eu quero olhar pra trás e perceber que eu tentei até o último minuto. Até a minha última gota de suor incontido... Quero sorrir e ter orgulho de mim.

[ Deus nos deu duas mãos, já pensando no trabalho de uma, enquanto a outra descansa. Cabe a nós ponderá-las. ]

Sara Albuquerque.
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Author: Sara Albuquerque
•21:24
A vida é um teste constante de habilitação. É preciso saber andar na velocidade prudente, frear, fazer a baliza, obedecer às placas de sinalização, atravessar quebra-molas, praticar meias-embreagens e ainda manter-se no controle da direção. O que se exige é prática, senso crítico e rápida mobilização, para evitar encarar sinais vermelhos. E os segundos insistem em correr saudáveis, acompanhando-nos no acostamento. Mesmo que aceleremos, basta uma olhadinha pelo retrovisor e lá estão eles. Tempo que não para é a gasolina que se consome. Sonhos que levamos na mala são resistentes à para-brisas enfraquecidos pelas tempestades. Cintos de segurança, ora nos protegem, ora nos prendem... Mas não se pode perder o controle: é o seu carro, sua estrada, o caminho que você desenha com pneus de giz. Ganha quem chega primeiro. Vence quem chega satisfeito. Nada melhor que um copo de vinho no tanque, antes de colocar a chave na ignição e partir. Meu carro é voador e não prescinde de conhecer as nuvens mais altas. Espero que não chova. Por via das dúvidas, estou levando meu guarda-Sara.


Sara Albuquerque.
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Author: Sara Albuquerque
•23:58
Ele tem o coração puro. Mesmo apresentando também seus pequenos defeitos, sua magnitude é tanta, que sempre nos surpreende mais um pouco. Ele tem gosto de chuva... E sempre que o vejo, nasce um sol dentro de mim. Parecemos a junção quase perfeita daqueles que só se encontram de vez em quando. Nosso amor é doce, é porto seguro, é recheado de Diamante Negro. Ele se aproxima dos 21. Eu tenho 18... e três anos separam o que nos interliga.
Somos dois.Um. Somos um infinito de carinho num abraço apertado.

Somos o "quando o verão acabar" em pleno inverno.
Sara Albuquerque.
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Author: Sara Albuquerque
•21:29
Sei que parece bobo, mas desde pequenina eu queria manter as unhas grandes. Não grandes, grandes, grandes... Contudo, um pouquinho maior do que anteriormente. Um bom hábito que adquiri, devido ao aparelho dental usado durante quase três anos, foi o de não roer as unhas. O problema é que elas eram fraquinhas e como, em virtude dos estudos, o tempo em dedicação a mim era pouco, nunca pude mantê-las como eu gostaria.

Dezoito anos e um milagre: eu estava com as unhas todas cerradinhas, grandes, limpas e desprovidas de cutículas. Eu havia me permitido uns segundos para arrumação. Parece desnecessário, se formos levar para o lado da beleza; mas é higiênico e isso ninguém pode negar. Estavam todas exatamente como eu sempre planejei... Até algumas horas depois.

Quebrou-se a primeira unha. Havia sido a responsável pelo ‘dedo maior de todos’ da mão direita. Fiquei tão chateada! Eu tinha tantos problemas mais relevantes com os quais me preocupar, mas eu elevava a minha mão com os dedos abertos ao alcance da minha visão e a única coisa que eu avistava era a unha quebrada. Ou melhor, eu só via o patinho feio no meio dos cisnes... (Aff! Não sei onde fui arranjar isso...)

O fato era que você estava lá ao meu lado e eu pensei errado a respeito do que você fosse fazer. Jurei que você riria, zombaria, acharia que eu era uma tola, por me preocupar com aquilo. E você apenas me olhou e silenciou... Parecia saber que em breve eu nem lembraria mais da unha quebrada e que estaria feliz naquele cantinho, contando sobre outros assuntos. Era tudo que eu precisava: compreensão. Em um dia cheio de problemas, transmiti a exasperação total para um pequeno pedaço de unha... Mas você me falou que unhas cresciam e tudo voltaria a ser como antes.

Às vezes, fico incrível como você consegue me ensinar com pequenos detalhes. Hoje em dia, quem se importaria com uma unha quebrada? Ainda bem que encontrei você.

Sara Albuquerque.
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Author: Sara Albuquerque
•20:58
Eu só teria que esperar mais um pouquinho... O fim de semana parecia infindável.

Fazia algum tempo que eu preparava a surpresa. Eu queria que fosse mais que um simples presente de aniversário. Marcante! Era exatamente esse adjetivo que eu gostaria que ele representasse. Foi tudo tão minuciosamente preparado, que fazia medo dar errado. Até o embrulho cor cinza com desenhos de anjos foi escolhido com significado e esmero.

Dois dias atrás, tínhamos comemorado antecipadamente com um pedacinho de bolo e uma caixinha vermelha com um laço de fita. A velinha apagou, ao ouvir o desejo. Desejo que não imagino qual foi, mas espero que se concretize, só pelo fato de saber que deve ter sido algo muito bom. Faltavam só algumas horas e eu me dirigiria ao caminho da cidade com o céu mais azul... Meu coração já palpita de ansiedade. Minha barriga sente frio.

T-r-r-r-r-e-m-o.

Tudo isso, apenas porque eu queria ver um sorriso. Um só... Para que eu tornasse a minha felicidade iminente em concreta e tivesse a certeza de que nada haveria sido em vão.

Sara Albuquerque.
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Author: Sara Albuquerque
•19:48
Faz algum tempo que deixei de tomar aquele quente café-despertador. Apesar de amigo da minha insônia de todas as noites, optei por deixá-lo de lado por algum tempo, em virtude dos meus fortes problemas estomacais. Mas tudo que eu precisava, agora, era de uma xícara cheia até a borda de café com leite.

[Muito açúcar, por favor.]

Seria a cena quase perfeita:
Domingo.
Chuva.
Luminária.
Um livro.
...E café.

Às vezes, observo-me do lado de fora: um voyer de mim. Pareço avistar-me sentada naquela cadeira costumeira e mal acostumada do meu quarto e analiso. Vejo meus pensamentos, desejos, as ansiosas perspectivas e as frustrações. Estas últimas vêm apenas incrementando minha cachola de “expectativas que ainda não alcancei”. Como seria mais simples se tudo estivesse ao alcance das nossas mãos, como aqueles grãos de areia da praia com os quais eu construía tantos castelos.

Porém, se assim o fosse... Acredito que eu não daria tanto valor. Precisamos sempre de um esforçozinho a mais, para nos sentirmos um tanto vitoriosos no fim. Fim? Tudo parecia ser um gigante ciclo de multiplicações e raízes quadradas.

Ainda tenho muito a aprender com a matemática. Por enquanto, dane-se a dor de estômago. Vou fazer um café... Pelo menos, ele estava aguardando meu cessar de abstinência na prateleira da despensa.

Sara Albuquerque.
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